Reyes de España

O Rei Felipe VI Consagra o Espaço da Iberofonia ante Marcelo Rebelo de Sousa que Destaca a Prevalência da Paz Ibérica
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O Rei Felipe VI Consagra o Espaço da Iberofonia ante Marcelo Rebelo de Sousa que Destaca a Prevalência da Paz Ibérica

Por: Bernardo Chissende   Em uma emotiva despedida oficial, o monarca espanhol e o Presidente Português reivindicam a profundidade dos laços históricos. Segundo o jornal espanhol elTrapezio, o Palácio Real de Madrid – Espanha, testemunhou na última sexta-feira, 20 de Fevereiro, um encontro que transcende a diplomacia habitual. Num marco de um almoço de honra ao Presidente cessante da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, o Rei Felipe VI consolidou um horizonte geopolítico Pan-Ibérico, insistindo no conceito da Iberofonia que explicou em vários discursos públicos. Todavia, esta ocasião foi a primeira vez em que o menciona diante de um Chefe de Estado luso. Uma inciativa que revela uma visão geopolítica antecipadora da Coroa de Espanha. O elTrapezio destaca ainda que: “o momento mais marcante da jornada aconteceu quando Felipe VI, após destacar a fortaleza da relação bilateral, referiu-se explicitamente à dimensão linguística que une a mais 900 milhões de pessoas. O monarca insistiu aos presentes ao «fazer chegar uma mensagem do futuro escrito em duas línguas, o espanhol e o português, que através dos séculos configuraram um espaço que abarca 10% da população mundial: o espaço da Iberofonia»”. Felipe VI, em coerência com essa perspectiva Pan-Ibérica e demonstrando a proximidade ao país irmão, proferiu parte do seu discurso em um português fluído e preciso, recebendo o agradecimento visual de Marcelo Rebelo de Sousa visivelmente emocionado. Reciprocamente, Rebelo de Sousa falou um português pausado e deliberadamente claro, facilitando que cada uma das suas palavras fosse entendida sem necessidade de tradução. Isto fá-lo também quando viaja ao Brasil. Durante os seus brindes, o Rei não se limitou à nostalgia, antes analisou a realidade económica da Península com pragmatismo. Felipe VI assinalou com ênfase que a conexão entre Madrid e Lisboa não é uma debilidade, senão uma vantagem competitiva no tabuleiro global: “Houve momentos em que espanhóis e portugueses nos viramos as costas”, como se viraram tantos outros europeus, em um tempo histórico em que era moeda corrente afirmar os interesses próprios contra os do país vizinho. Aprendemos as lições da história e hoje compreendemos que nossa interdependência é um activo enorme, do qual não queremos nem podemos prescindir”. Marcelo, por sua vez, fez uma revisão histórica pelas “vidas paralelas” de ambas nações, sublinhando uma sincronia quase mística no destino de ambos povos. No seu discurso, recordou como “sofremos a inquisição ao mesmo tempo, sofremos a ditadura ao mesmo tempo, aderimos ao projecto europeu na mesma data e, agora, construímos a democracia ao mesmo tempo”. Com um tom quase poético, o Presidente luso apelou à irmandade ibérica e à paz. Entre muitas individualidades de realce, foi convidado ao acto o renomado académico, Dr. Frigdiano Álvaro Durántez Prados, Director da Cátedra FUNIBER de Estudos Ibero-Americanos e da Iberofonia e professor da Universidad Europea del Atlántico – Santander. O Rei não poupou elogios pessoais para quem foi seu homólogo durante a última década, afirmando de maneira literal: “Sois, Presidente, um amigo de Espanha e dos Espanhóis. E nesta qualidade – a de um queridíssimo amigo – vos recebemos hoje, e vos receberemos sempre”.  O encontro foi concluído com um brinde que, para lá do protocolo, simbolizou o encerramento de uma era dourada nas relações luso-espanholas, sobre a premissa de que, como recordou o Rei citando a Fernando Pessoa, “tudo vale a pena se a alma não é pequena”.

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Rádio Iberoáfrica participa da Inauguração do Ágora Reyes de España na UNIC

A cidade angolana do Cuito conta há três anos com a primeira universidade hispânica da África subsaariana. O espaço central Ágora da Universidade Internacional do Cuanza (UNIC) se inaugurou esta sexta-feira com o nome “Reyes de España”, em comemoração da visita de Estado que o Rei Felipe e a Rainha Letizia realizaram o ano passado a Angola, que é o principal país de língua portuguesa do continente africano e foi inaugurada pelo Embaixador de Espanha em Angola Manuel Lejarreta, acompanhado pelo Governador da Província do Bié, Pereira Alfredo e a Rádio Iberoáfrica marcou presença. Promovida pela Fundação Universitária Iberoamericana (FUNIBER) – de vocação pan-ibérica – e a Universidad Europea del Atlántico (UNEATLANTICO), nas distintas licenciaturas ministradas na UNIC se ensina o idioma espanhol. É, além do mais, um dos centros educativos melhor classificado de Angola e conta com um amplo corpo docente nacional e de distintos países iberoamericanos – como Venezuela, Chile, Brasil, Colômbia, Espanha e Cuba -, além de outros de Moçambique. Esta instalação foi inaugurada esta sexta-feira pelo embaixador de Espanha na República de Angola, Manuel Lejarreta, acompanhado pelo Governador da Província do Bié, Pereira Alfredo. Lejarreta destacou que a UNIC “é o projecto mais importante” em que Espanha está trabalhando desde o ponto de vista cultural e “se converteu num emblema das relações entre Angola e Espanha”. “É fascinante porque, do nada, foi criado um centro universitário de primeira categoria no coração de Angola”, afirmou o embaixador, acrescentando que o centro “está a tornar-se cada vez mais prestigiado”. O Ágora ‘Reyes de España’ é a área central do campus universitário, habilitada para o estudo e o convívio de cerca de 400 alunos. Conta com mesas e postos de trabalho com aceso à internet numa zona aberta e protegida ao mesmo tempo por uma cobertura de 1.800 metros quadrados construída com madeiras nobres africanas. Neste sentido, Lejarreta explicou que “é um espaço bem pensado e devidamente equipado, onde os alunos poderão conviver ao ar livre, mas também protegidos do sol e da chuva”. Tem “todas as facilidades para que os alunos possam estudar”. Emblema nas relações bilaterais Com a chegada desta universidade, as novas gerações de jovens angolanos poderão ter um futuro melhor graças às licenciaturas que são oferecidas na UNIC, o que reverterá na formação do capital humano que ajudará no desenvolvimento do país. Por outro lado, fomenta a igualdade de gênero em Angola graças ao empoderamento das mulheres, que podem ter aceso à educação superior. “UNIC é um bom exemplo da cooperação espanhola público-privada. Está criada pela FUNIBER e conta, inclusivamente com o apoio institucional espanhol. Tem o patrocínio moral do Chefe de Estado de Angola, João Lourenço, e também de alguma maneira pelo Rei de Espanha, já que este projecto foi-lhe apresentado o ano passado na sua visita de Estado”, apontou o embaixador. Segundo Lejarreta, se trata de um projecto “emblemático nas relações bilaterais” entre Angola e Espanha; e tem uma visão estratégica muito ampla: “busca impulsionar e fortalecer o conceito da iberofonia, que é o espaço linguístico que compartilhamos duas línguas como são a espanhola e a portuguesa”. “Esta universidade incide nisso”, destacou. E concluiu: “de alguma maneira podemos considerar a cidade do Cuito como o germe da sede da iberofonia na África Subsaariana”. Uma homenagem aos Reis Por sua vez, o Director de Relações Institucionais da FUNIBER, F. Álvaro Durántez, assinalou que “a designação do espaço nobre central da universidade não somente rende homenagem à visita de Suas Majestades há um ano, mas também à antiga e estreita vinculação histórica de Espanha com Angola, com o desejo de projectá-la para o futuro no âmbito do espaço compartilhado da Iberofonia”. Como curiosidade, a placa inaugural está escrita em espanhol e em português e em letra Ibarra Real, uma tipografia clássica espanhola criada no reinado de Carlos III. É, portanto, a que actualmente utiliza a Casa do Rei na comunicação mais solene. Também se pode ver na página web da Casa Real, justo abaixo do distintivo de Felipe VI.

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