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CPLP - Bandeiras Países - Bernardo Chissende
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A CPLP no Século XXI: Entre a Herança Histórica e o Futuro Geopolítico da Lusofonia

Por: Bernardo Chissende A CPLP no Século XXI: Entre a Herança Histórica e o Futuro Geopolítico da Lusofonia A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) afirma-se, no século XXI, como uma das mais relevantes plataformas multilaterais de cooperação baseadas na língua, cultura e história partilhadas. Criada em 1996, a organização reúne nove Estados soberanos – unidos por uma língua comum falada por mais de 300 milhões de pessoas em quatro continentes, nomeadamente – África (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique e São Tomé e Príncipe); América do Sul (Brasil); Ásia (Timor-Leste) e Europa (Portugal). Uma Comunidade de Diversidade Estratégica A CPLP distingue-se por uma característica singular: a sua diversidade geográfica e cultural. De África à Europa, passando pela América do Sul e Ásia, os seus membros apresentam realidades económicas, políticas e sociais distintas. Essa heterogeneidade, longe de ser um obstáculo, constitui um activo estratégico, permitindo à organização actuar como ponte entre diferentes blocos regionais e sistemas internacionais. No plano económico, o bloco representa um potencial significativo. O Brasil destaca-se como potência emergente global, enquanto Angola assume o papel diplomático e da estabilidade no continente, bem como exerce uma importância crescente no sector energético e de recursos naturais, a par de Moçambique. Guiné Equatorial representa o único país africano hispanofalante, tendo o português como língua cooficial. Por sua vez, Portugal funciona como elo estratégico com a União Europeia, e Cabo Verde e São Tomé e Príncipe posicionam-se como plataformas logísticas no Atlântico. A Língua Portuguesa como Activo Geopolítico A língua portuguesa é o principal eixo estruturante da CPLP. Mais do que um instrumento de comunicação, ela constitui um vector de influência cultural, diplomática e económica. No contexto da globalização, o português tem vindo a consolidar-se como uma das línguas mais relevantes no hemisfério sul, com forte presença em mercados emergentes. Universidades e centros de investigação têm reconhecido o papel da língua portuguesa como ferramenta de produção científica e intercâmbio académico. Programas de mobilidade estudantil, cooperação universitária e produção de conhecimento partilhado reforçam a posição da CPLP como espaço de circulação de ideias e inovação. Cooperação, Segurança e Desenvolvimento A CPLP tem vindo a alargar o seu campo de actuação para áreas cruciais como segurança, defesa, saúde pública e desenvolvimento sustentável. Missões de observação eleitoral, cooperação técnico-militar e iniciativas conjuntas no combate a pandemias evidenciam a crescente maturidade institucional da organização. A cooperação Sul-Sul emerge como uma das dimensões mais relevantes. Países africanos lusófonos beneficiam de parcerias com economias mais robustas dentro da CPLP, promovendo transferência de conhecimento, tecnologia e capacitação institucional. Desafios Estruturais Apesar dos avanços, a CPLP enfrenta desafios significativos. A assimetria económica entre os Estados-membros, a instabilidade política em algumas regiões e a necessidade de maior integração económica continuam a limitar o seu pleno potencial. Além disso, a organização enfrenta o desafio de afirmar-se num cenário internacional cada vez mais competitivo, onde blocos regionais mais consolidados disputam influência. A necessidade de reforçar mecanismos de governança, financiamento e implementação de políticas conjuntas é crucial para a sua sustentabilidade. O Futuro da CPLP: Uma Visão Estratégica O futuro da CPLP dependerá da sua capacidade de transformar afinidades históricas em vantagens concretas. A aposta na integração económica, na inovação tecnológica, na educação, no fomento turístico a nível da comunidade e na diplomacia cultural poderá posicionar o bloco como um actor global relevante. Num mundo multipolar, a CPLP tem potencial para actuar como mediadora, promotora de diálogo e catalisadora de desenvolvimento sustentável. A consolidação de uma identidade lusófona moderna, inclusiva e orientada para o futuro será determinante para o seu sucesso. Conclusão A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa representa mais do que uma organização internacional: é um espaço de convergência histórica, cultural e estratégica. O seu impacto transcende fronteiras, oferecendo oportunidades únicas para cooperação global, produção científica e desenvolvimento humano. Para universidades, centros de pesquisa e a sociedade em geral, a CPLP constitui um objecto de estudo privilegiado – um laboratório vivo de relações internacionais, diversidade cultural e construção de um futuro comum baseado na língua portuguesa.

África, Angola, Arquitetura, Ciência, Cultura, Diplomacia, Educação, Engenharia, Juventude, Política, Reyes de España, Sociedade

Rádio Iberoáfrica participa da Inauguração do Ágora Reyes de España na UNIC

A cidade angolana do Cuito conta há três anos com a primeira universidade hispânica da África subsaariana. O espaço central Ágora da Universidade Internacional do Cuanza (UNIC) se inaugurou esta sexta-feira com o nome “Reyes de España”, em comemoração da visita de Estado que o Rei Felipe e a Rainha Letizia realizaram o ano passado a Angola, que é o principal país de língua portuguesa do continente africano e foi inaugurada pelo Embaixador de Espanha em Angola Manuel Lejarreta, acompanhado pelo Governador da Província do Bié, Pereira Alfredo e a Rádio Iberoáfrica marcou presença. Promovida pela Fundação Universitária Iberoamericana (FUNIBER) – de vocação pan-ibérica – e a Universidad Europea del Atlántico (UNEATLANTICO), nas distintas licenciaturas ministradas na UNIC se ensina o idioma espanhol. É, além do mais, um dos centros educativos melhor classificado de Angola e conta com um amplo corpo docente nacional e de distintos países iberoamericanos – como Venezuela, Chile, Brasil, Colômbia, Espanha e Cuba -, além de outros de Moçambique. Esta instalação foi inaugurada esta sexta-feira pelo embaixador de Espanha na República de Angola, Manuel Lejarreta, acompanhado pelo Governador da Província do Bié, Pereira Alfredo. Lejarreta destacou que a UNIC “é o projecto mais importante” em que Espanha está trabalhando desde o ponto de vista cultural e “se converteu num emblema das relações entre Angola e Espanha”. “É fascinante porque, do nada, foi criado um centro universitário de primeira categoria no coração de Angola”, afirmou o embaixador, acrescentando que o centro “está a tornar-se cada vez mais prestigiado”. O Ágora ‘Reyes de España’ é a área central do campus universitário, habilitada para o estudo e o convívio de cerca de 400 alunos. Conta com mesas e postos de trabalho com aceso à internet numa zona aberta e protegida ao mesmo tempo por uma cobertura de 1.800 metros quadrados construída com madeiras nobres africanas. Neste sentido, Lejarreta explicou que “é um espaço bem pensado e devidamente equipado, onde os alunos poderão conviver ao ar livre, mas também protegidos do sol e da chuva”. Tem “todas as facilidades para que os alunos possam estudar”. Emblema nas relações bilaterais Com a chegada desta universidade, as novas gerações de jovens angolanos poderão ter um futuro melhor graças às licenciaturas que são oferecidas na UNIC, o que reverterá na formação do capital humano que ajudará no desenvolvimento do país. Por outro lado, fomenta a igualdade de gênero em Angola graças ao empoderamento das mulheres, que podem ter aceso à educação superior. “UNIC é um bom exemplo da cooperação espanhola público-privada. Está criada pela FUNIBER e conta, inclusivamente com o apoio institucional espanhol. Tem o patrocínio moral do Chefe de Estado de Angola, João Lourenço, e também de alguma maneira pelo Rei de Espanha, já que este projecto foi-lhe apresentado o ano passado na sua visita de Estado”, apontou o embaixador. Segundo Lejarreta, se trata de um projecto “emblemático nas relações bilaterais” entre Angola e Espanha; e tem uma visão estratégica muito ampla: “busca impulsionar e fortalecer o conceito da iberofonia, que é o espaço linguístico que compartilhamos duas línguas como são a espanhola e a portuguesa”. “Esta universidade incide nisso”, destacou. E concluiu: “de alguma maneira podemos considerar a cidade do Cuito como o germe da sede da iberofonia na África Subsaariana”. Uma homenagem aos Reis Por sua vez, o Director de Relações Institucionais da FUNIBER, F. Álvaro Durántez, assinalou que “a designação do espaço nobre central da universidade não somente rende homenagem à visita de Suas Majestades há um ano, mas também à antiga e estreita vinculação histórica de Espanha com Angola, com o desejo de projectá-la para o futuro no âmbito do espaço compartilhado da Iberofonia”. Como curiosidade, a placa inaugural está escrita em espanhol e em português e em letra Ibarra Real, uma tipografia clássica espanhola criada no reinado de Carlos III. É, portanto, a que actualmente utiliza a Casa do Rei na comunicação mais solene. Também se pode ver na página web da Casa Real, justo abaixo do distintivo de Felipe VI.

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